Servidores do AM ficam no vermelho por atraso dos salários

A remuneração de novembro dos servidores públicos foi depositada para certas categorias, mas os boletos atrasados não vão deixar algumas contas fecharem no azul este mês. Isso porque esses profissionais costumam receber quase uma semana antes do dia adotado pelo calendário especial da gestão de Wilson Lima (PSC) e se programam para pagar as dívidas essenciais por esse período.
O vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Amazonas (Sinpol-AM), Odirley Araújo, disse que ficou devendo a escola do filho, que custa R$ 3 mil, mensalmente, e vai precisar pagar uma taxa de juros alto pelo atraso.
“O boleto da escola do meu filho vence dia 30 e agora só vou poder pagar dia 5, a mensalidade é R$ 3 mil e vou pagar cerca de R$ 300,00 de juros por esses cinco dias de atraso. Então não está tudo bem receber o salário integral uns 'diazinhos' depois, 3% ou 4% de juros em cada conta é um desfalque no orçamento das pessoas. Nós estamos sofrendo”, relatou Araújo
Bola de neve
Já a presidente Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam)da professora Ana Cristina Rodrigues, explicou que a mudança atrapalhou completamente o planejamento financeiro dos servidores e teve colegas que precisaram escolher o que ficaria devendo na praça, ou os juros do boleto ou um novo empréstimo.
“É muito difícil com o nosso salário fazer uma reserva de dinheiro, até por conta do custo de vida da nossa cidade. É uma remuneração que serve apenas para as nossas necessidades imediatas. Então, ou o trabalho faz um empréstimo no banco e fica pagando juros abusivos para sanar alguns compromissos ou assume os juros que vem no boleto no próximo mês. Essa mudança causou prejuízo e sem contar a pressão psicológica de está com a sua água, a sua luz, a sua internet sem pagar. Parecem poucos dias, mas o efeito é grande e vira uma bola de neve”, explica Ana.
Efeito dominó em todo o Amazonas
Na escolha de Sofia, entre pagar os juros do banco ou do boleto vencido, a professora Lílian Fernandes escolheu a segunda opção e pagou com atraso contas essenciais como energia elétrica, cartão de crédito e uma loja de roupas. Ela entende que essa condição mexe com a economia de todo o Estado e não apenas dos servidores.
“Eu ainda tenho uma renda extra porque alugo uma casa e se o meu inquilino não paga no dia certo isso me prejudica porque eu conto com aquele dinheiro e imagino que na posição de devedora eu causo o mesmo problema para as pessoas/empresas que deixo de pagar no dia. Os servidores públicos movimentam a economia do Amazonas, se não podemos honrar um compromisso é como um efeito dominó em todo o Estado”, calcula a professora.
A professora Lilian Fernandes teme que a situação se repita nos pagamentos dos meses de janeiro em diante, já que o de dezembro, conforme já foi anunciado, também será quitado com atraso. “Ou seja, vamos passar pela mesma agonia”, prevê. “Pior que não podemos confiar no que diz o governador Wilson Lima, nós estamos acompanhando o caso do pessoal da saúde, coitados, há meses sem receber. Nós ainda temos uma perspectiva, não ganhamos muito, mas queremos, pelo menos, receber no dia certo”, conclui a professora.

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