Escândalo: Governo reintegra e promove tenente-coronel aliado de David Almeida, acusado de fazer parte de operação que levaria R$ 5 bilhões do Estado
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| Carlos Almeida chamou investigado da PC de volta à PM |
O
governador em exercício Carlos Almeida, vice-governador do Estado do Amazonas, reincorporou
José Júlio César Corrêa aos quadros da Polícia Militar do Amazonas,
contrariando o parecer da Procuradoria Geral do Estado que era contrária à
reintegração. Na
decisão, o governador também determinou que o oficial, afastado desde 2011,
recebesse as promoções devidas, saindo de major e chegando a tenente
coronel. Júlio César ainda terá direito
a receber o retroativo, referente aos oito anos afastado da PM.
Operação Bilhete Premiado
Júlio César Corrêa é um dos investigados na operação Bilhete Premiado, deflagrada
pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) e pela Polícia Civil que
cumpriu mandados de busca e apreensão contra o agora tenente (Júlio Cesar), contra o coronel
da PM Nilson Cardoso e contra Leandro Carlos Spener Xavier. Estes três alvos da
operação eram ex-diretores da Superintendência Estadual de Habitação (Suhab), na
gestão de David Almeida como governador interino.
A Operação Bilhete Premiado tem como objetivo investigar a cobrança de R$ 5 bilhões pela empresa Ezo Soluções Interativas Ltda, como parte de um acordo obscuro desenhado dentro do gabinete do então governador David Almeida (Avante) e entregue como ‘herança’ a uma empresa mineira. O pagamento bilionário exigido
pela Ezo Soluções seria pelos serviços prestados, por duas semanas, de
recuperação ao Estado de R$ 27 bilhões de valores do Fundo de Compensação de
Variações Salariais (FCVS), conforme informações da própria empresa.
Do
montante de R$ 27 bilhões, o advogado Júlio César Corrêa, ligado ao
ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) e ex-governador
interino David Almeida, foi autorizado a sacar R$ 200 milhões como ‘taxa de
sucesso’ pelo negócio. O acerto tem a Suhab como pano de fundo. O advogado era
o número 2 da pasta na gestão de David.
Esquema
O
planejamento para o rombo dos cofres públicos do Estado teve início em junho de
2017, um mês após a posse de David Almeida como substituto do governador
cassado José Melo. Em seguida, no dia 12 de junho de 2017, Almeida nomeou o
advogado José Júlio César Corrêa como diretor habitacional da Suhab.
Dez
dias após a nomeação, a empresa Ezo Soluções Interativas ofereceu ao governador
interino uma espécie de assessoria para recuperar valores do Fundo de
Compensação de Variações Salariais (FCVS), da Caixa Econômica Federal,
destinadas à habitação.
E
antes do fim do mandato para a posse do governador ‘tampão’ Amazonino Mendes,
David Almeida oficializou no Diário Oficial do Estado, no dia 4 de outubro, os
20% de consultoria da Ezo Soluções. Curiosamente, ofereceu ao advogado José
Júlio César Corrêa, que foi número 2 na gestão da Suhab, R$ 200 milhões como
‘honorário’ pelo sucesso no acordo de R$ 5 bilhões.
E
mesmo com a Suhab negando o recebimento de qualquer valor pelos supostos
trabalhos de consultoria da Ezo Soluções, a empresa registrou em cartório os
valores que garante ter recuperado para o Governo do Amazonas. E, atualmente,
cobra judicialmente do Estado os R$ 5 bilhões que teria direito.



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